O Arreio do Senhor - 1963
Glória a Deus! Bendito seja o Senhor, Ele é maravilhoso! Deixe-o ser o Senhor da sua vida, e não reclame do que Ele trouxer. Regozije! Filhos de Deus, pois foram escolhidos por Sua graça para esse grandioso trabalho nessa última hora.
17/4/2009
Considere esta história tendo como ponto de vista as nossas próprias vontades sendo colocadas debaixo de Seu arreio…
VI A CARRUAGEM DO REI
Numa estrada de terra no meio de uma pastagem grande estava uma bela carruagem banhada em ouro e com esculturas lindas. Estava sendo levada por seis cavalos musculosos, dois na frente, dois no meio e dois na traseira. Mas não estavam se mexendo, não estavam puxando a carruagem, e eu não sabia por quê. Foi quando vi o dono deles debaixo da carruagem, na terra, com as costas bem atrás dos pés dos últimos cavalos trabalhando em algo entre as duas rodas dianteiras. Pensei comigo mesmo: “Puxa! Ele está numa posição perigosa porque se um daqueles cavalos desse um coice ou um passo para trás, poderia até matá-lo. E se decidissem ir para frente ou se assustassem, a carruagem passaria por cima dele.” Mas ele não parecia ter medo porque sabia que esses cavalos eram disciplinados e não iriam se mexer até que ele desse a ordem. Os cavalos não estavam batendo os pés, nem estavam impacientes, e mesmo os sinos em seus pés, não faziam um “trim”. Os enfeites da cabeça nem estavam se mexendo. Estavam simplesmente quietos, aguardando a voz do Mestre.
HAVIA DOIS POTROS EM CAMPO ABERTO
Enquanto observava os cavalos arreados, notei dois potros vindo do campo aberto e se aproximando da carruagem. Pareciam falar aos cavalos:
—Venham brincar com a gente! Temos muitas brincadeiras legais. Venham apostar uma corrida com a gente e nos pegar.
E com isso correram de volta para o campo aberto com rabos erguidos. Mas quando olharam para trás, para surpresa deles, os cavalos nem tinham se mexido. Os potrinhos não conheciam nada sobre arreios então não podiam entender porque os cavalos não queriam brincar. Então chamaram de volta:
—Por que não querem correr com a gente? Estão cansados? Estão fracos? Não têm força para correr? Vocês são sérios demais, precisam de mais alegria em suas vidas.
Mas os cavalos não falavam uma palavra, não batiam os pés e nem mexiam as cabeças. Porém ficavam atentos e quietos, calmos esperando a voz do Mestre.
De novo os cavalinhos os chamaram:
—Porque ficam aí no sol quente? Venham cá para a sombra desta árvore. Vejam como esta grama é gostosa. Vocês devem estar com fome. Venham para andarmos nos pastos verdes e gostosos juntos. Parecem ter sede, venham, bebam água das nossas correntes refrescantes.
Porém os cavalos não respondiam nem com um olhar, mas ficavam quietos, esperando a ordem de ir avante com o Rei.
POTROS DENTRO DO CURRAL DO MESTRE
Então a cena mudou e vi cordas caírem sobre os pescoços dos cavalinhos que foram levados para o curral do Mestre para treino e disciplina. Como ficaram tristes quando foram tirados das pastagens verdes e colocados dentro do confinamento no curral com areia seca e uma cerca alta. Os potros correram de um lado para o outro buscando uma saída, mas descobriram que estavam presos dentro desse lugar de treinamento. E então o Treinador começou a trabalhar com eles usando o Seu chicote e Sua rédea. Era o fim para eles, que em todas suas vidas foram acostumados com a liberdade! Não podiam entender a razão deste tormento e disciplina terrível. Que grande crime tinham feito para merecer isto?! Pouco sabiam sobre a responsabilidade que os aguardavam depois de se submeterem à disciplina e obedecerem perfeitamente o Mestre, completando o treinamento. Só sabiam que esse processo era a coisa mais horrível que já tinham passado.
SUBMISSÃO E REBELIÃO
Um dos potros rebelou-se debaixo do treinamento e falou:
—Isto não é para mim. Quero a minha liberdade, a pastagem verde, as correntes de águas frescas. Não vou ficar neste lugar cheio de limites, este treinamento é horrível.
Então achou uma brechinha, pulou a cerca e correu alegremente de volta para as pastagens verdes. Fiquei atônito que o Mestre o deixou ir e não foi atrás, mas dedicou o Seu tempo para aquele que ficou. Esse cavalinho, apesar de ter a mesma oportunidade de escapar, decidiu submeter-se à vontade do Mestre e aprender os Seus caminhos. E o treinamento ficou mais difícil do que nunca, porém ele aprendia mais e mais como obedecer até o menor desejo do Mestre e corresponder à Sua voz calma. Percebi que se não houvesse treinamento ou provas, também não haveria submissão ou rebelião por nenhum dos potros. No campo não tinha essa opção de ser rebelde ou de ser submisso; eram sem pecado na sua inocência. Mas quando foram colocados em lugar de treinamento, prova e disciplina, veio à tona aquilo que estava escondido nos corações deles: a obediência de um e a rebelião do outro. E mesmo que pareça mais seguro não vir ao lugar de prova e disciplina pelo risco de ser achado rebelde, percebi que sem isso não poderia ter o compartilhar da Sua Glória, nem o relacionamento de Pai para filho.
DENTRO DO ARREIO
Finalmente o tempo de treinamento se completou. Será que agora haverá de ser recompensado com a “liberdade” de voltar para os campos? Ah não! Mais confinamento. O arreio seria colocado sobre seus ombros. Agora não tinha mais nem liberdade de virar de um lado para o outro no curral, porque no arreio só podia se mexer quando o Mestre falasse. E até o Mestre falar…ele ficaria quieto.
A cena mudou. Vi o outro potro num monte, mastigando um pouco de grama. Estava passando pelos campos a carruagem do Rei, dirigida por seis cavalos. O cavalinho ficou maravilhado ao ver que na frente, à direita, vinha o seu irmão, agora forte e maduro por causa do bom milho do estábulo do Rei. Também viu no seu irmão o ouro que brilhava, os enfeites sobre a sua cabeça, os sinos tinindo nos seus pés…e entrou inveja no seu coração. Falou consigo mesmo:
—Porque meu irmão é honrado assim, e eu negligenciado? Ele nunca colocou sinos nos meus pés, nem enfeites na minha cabeça. O Mestre nunca me deu a responsabilidade de levar a Sua carruagem e nem usar o arreio dourado. Por que escolheram o meu irmão e não a mim?
E pelo Espírito a resposta veio a mim enquanto via esta cena. “Porque um se submeteu à vontade e disciplina do Mestre, e o outro se rebelou, por essa razão um foi escolhido e o outro colocado de lado.”
UMA SECA NA TERRA
E então vi uma grande seca apoderar-se da terra; a grama morreu e tudo ficou marrom. As águas não corriam mais, deixando só pequenas poças de água suja aqui e ali. Vi o pequeno potro (me abismei ao ver que parecia nunca crescer ou ficar maduro) enquanto corria de lá par cá, pelos campos, procurando correntes de água fresca e pastos verdes, e não achava. Corria rodando em círculos, procurando encontrar algo para saciar o seu espírito faminto. Mas havia fome na terra, e as águas frescas e os pastos de ontem já não existiam mais.
Um dia o potrinho parou num monte, com as pernas enfraquecidas e sem forças ficou pensando aonde procurar comida e como achar força para continuar. Parecia que não existia mais esperança, porque toda a força gasta em achar comida e água só servia para cansar mais e gastar o pouco de força que ainda tinha. De repente ele viu no caminho a carruagem do Rei sendo levada por seis cavalos grandes. E viu o seu irmão, gordo, forte, musculoso, belo, e com o pelo brilhante de tanto cuidado. O seu coração admirou-se, e perplexo gritou:
—Meu irmão, onde você acha comida para se manter tão forte e gordo nesses dias de fome? Tenho corrido para todo canto na minha liberdade em busca de comida e não acho. Onde naquele confinamento horrível, você tem achado comida durante a seca? Por favor, me diga, preciso saber!
E então a resposta veio de uma voz cheia de vitória e louvor:
—Na casa de Meu Mestre há um lugar secreto no confinamento e limitações dos Seus estábulos, onde Ele me alimenta com Suas próprias mãos, suas provisões nunca faltam e as suas correntes de água nunca secam.
E com isso o Senhor me deixou conhecer que no tempo de seca espiritual, aqueles que têm perdido as suas próprias vontades, e têm se colocado sob o confinamento da Vontade Perfeita de Deus são saciados com comida do Céu que nunca falta, e com as correntes refrescantes da revelação do Seu Espírito.
ABUNDÂNCIA NO TEMPO DA SECA
Porque quando a seca chega na terra, Ele alimenta com Suas próprias mãos aqueles que estão submissos à Sua vontade perfeita e habitam no esconderijo do Altíssimo. Quando terror pairar sobre a terra, aqueles que estão no Seu arreio não têm medo, porque sentem o Seu freio e a Sua rédea e conhecem o dirigir do Seu Espírito. Quando outros estão fracos e cheios de medo, têm aqueles que são poderosos em Sua Força, e não faltará nada de bom. Na hora que as tradições do sistema religioso se manifestam sendo falsas e as suas correntes secam, Seus escolhidos falam a Palavra verdadeira do Senhor!
As cercas que mantinham os potros dentro de suas próprias pastagens não significam nada para os cavalos no arreio do Rei, por que as portas se abrem para eles e agora vão com a carruagem do Rei para lugares estranhos e maravilhosos. Eles não param para comer as ervas daninhas venenosas de pecado, porque somente comem no estábulo do Rei. Eles marcham em cima destes campos enquanto vão fazer os negócios do Rei. E então, para aqueles que estão sob a submissão total da Sua vontade, não existe mais lei. Eles se movimentam dentro da graça de Deus, dirigidos somente pelo Seu Espírito, onde todas as coisas são legítimas, mas nem todas as coisas são convenientes. É um lugar perigoso para os indisciplinados e muitos têm perecido no pecado quando pulam a cerca sem o Seu arreio e a Sua rédea. Alguns se acharam completamente submissos e debaixo de Seu arreio, para depois aprenderem, no caminhar de suas vidas, que ainda habitava dentro deles uma rebelião de vontade própria. Vamos esperar diante dEle até que Ele coloque em cada um de nós a Sua corda e nos leve para o Seu lugar de Treinamento. Vamos aprender o tratamento de Deus e o mover do Seu Espírito até sentirmos o seu arreio ser colocado em nós e ouvirmos a Sua voz nos guiando. E então haverá segurança contra as armadilhas do pecado e habitaremos na Sua Casa para sempre!
Embora a disciplina pareça dolorosa por um tempo e difícil de aguentar, o resultado glorioso de um relacionamento de Pai e filho será merecedor e a glória que vem a seguir excede muito mais o sofrimento que enfrentamos. E mesmo que alguns percam as suas vidas no treinamento, ainda compartilharão juntos na glória dos Seus eternos propósitos. Então não se desanimem, santos de Deus, porque é o Senhor que traz vocês para o confinamento, e não o seu inimigo. É para o seu bem, e para a glória dEle, então persevere em todas as dores com gratidão e louvor, pois Ele considerou você digno de compartilhar da Sua glória! Não temas o chicote na Sua Mão, pois não é para te punir, mas para te corrigir e treinar para que se submeta à Sua vontade e seja achado na Sua imagem naquele dia. Alegre-se na tribulação e glorie-se na cruz e nas limitações do seu arreio, porque Ele tem escolhido você. E Ele tem tomado para Si mesmo a responsabilidade de te deixar forte e bem alimentado; então descanse nEle, e não confie na sua própria habilidade e seu próprio entendimento. As Suas Mãos estarão sobre você e o alimentarão. A Sua glória cobrirá e correrá em você quando for enviado para encher a terra. Glória a Deus! Bendito seja o Senhor. Ele é maravilhoso! Deixe-O ser o Senhor da sua vida, e não reclame do que Ele trouxer. Regozijem-se! Alegrem-se! Filhos de Deus, pois vocês foram escolhidos por Sua graça para esse grandioso trabalho nessa última hora.
(William Britton, 1963)