Boas Novas

30/8/2005

Você que traz boas novas…

erga a sua voz com fortes gritos, erga-a!

Isaías 40:9

O corpo esbelto e delicado de Jedida era bem diferente do de seu marido, Simão. Ajoelhando graciosamente, ela se inclinou por cima de sua gamela, trabalhando silenciosamente no pátio grande e bem sombreado. O silêncio ao seu redor somente era interrompido pelo sussurro do ventinho fresco do mar e pelo grito ocasional de um pescador distante. Ela suspirou com satisfação. Ezequiel trouxera a notícia que seu abba tinha retornado para as margens bem cedinho naquela manhã, e ela ficaria contente de vê-lo novamente. Ela certamente sentira falta de Simão enquanto ele estava fora e esperava o brilho que ele sempre trazia. Mas a calma era agradável para o momento em contraste com a normal agitação da casa. Ela estava grata que a vida era boa para eles, mesmo nesses dias difíceis, mesmo que a pescaria nem sempre era próspera, mesmo que Roma parecia estar apertando sua garra e espalhando sua influência por toda Israel. Ainda havia esperança. Esperança nesse profeta do deserto, João. Talvez alguns com algo para esconder ou proteger chamariam isto de “escravidão”. Mas havia grande esperança na sua mensagem de arrependimento, do reino e sobre Aquele que há de vir.—Logo, Adonai—ela sussurrou em voz alta com o pensamento do Messias. Ela esperava ansiosamente pela notícia que Simão traria do Jordão.

Esticar, dobrar, esticar, dobrar, esticar. O pão cedia às suas mãos lisas e fortes. Ela levantou sua mão e colocou uma mecha de cabelo preto e liso atrás de sua orelha. No alto do terraço ela ouviu a gargalhada doce de seu bebê chamando—Nana!—Jedida sorriu de novo com o pensamento de sua própria mãe cuidando do bebê. As crianças amavam a Nana delas e sua risada viva e terna era ouvida pela casa muitas vezes. Jedida sorriu para si mesma. “Mãe é uma ajuda tão grande. Como poderia manter tudo em ordem sem ela?”

Sim, tinha muitas coisas a fazer. Sete crianças para cuidar era o suficiente, sem mencionar as inúmeras tarefas na casa que parecia com um labirinto de muitos quartos que tinha crescido em cada geração. Os vários trabalhos que tinham que ser terminados antes da refeição da tarde sistematicamente passavam pela sua mente. “Precisamos assar o pão e terminar a sopa de lentilhas. Esse pátio deve ser varrido. E será que vai ter tempo para fazer alguns bolos de figo para Simão e Jerede?”

—Mãe!—um estrondo seguiu o grito intenso. Surpresa, Jedida levantou a cabeça de sua massa. Mesmo que Ashira irrompendo pelo portão não fosse totalmente fora do comum, algo na voz de sua filha deixou Jedida tensa, incerta de que isto era somente um anúncio de que abba estava em casa.

—Ashira! O que foi?!—Jedida passou suas mãos na sua roupa atipicamente ao levantar-se de uma vez.—Todo mundo está bem?

—Ah! Mãe!—Ashira riu—Abba acabou de partir! De novo!

—O que? Como assim? Simplesmente foi?—Jedida perguntou, confusa com a excitação de sua filha.—Mas ele acabou de chegar!—enquanto perguntava, pensamentos voavam pela cabeça de Jedida. “Toda vez que Simão e Tiago voltam à pescaria depois daquelas viagens para ver o Batizador, suas paixões e suas energias para o Reino ardem ainda mais intensamente. E eu gosto disso! Mas o que aconteceu agora?” Jedida controlou seus pensamentos e calmamente perguntou—O que aconteceu, Ashira?

Ashira respirou fundo para se preparar para as palavras que ela quase não conseguia segurar—Tio André retornou e veio para buscar o pai! Ele disse que encontraram um homem. O Batizador diz que Ele é o Messias! O Messias, Mãe!

Jedida ofegou admirada com a imensidão do que sua filha tinha falado. A dúvida sobre a partida de Simão foi rapidamente colocada de lado com essa notícia que todos eles ansiavam ouvir. Essa maravilhosa notícia. “O Prometido de Israel!” Lágrimas começaram a aparecer nos seus olhos.—Agora?—ela cochichou—Ele finalmente se revelou? De todas as gerações em Israel, será que nós veremos o Messias, Ashira?

Ashira continuou em uma nova onda de entusiasmo—Abba e eu estávamos conversando perto do barco, Jerede estava pondo as redes em ordem, e de repente tio André vinha correndo em nossa direção pela margem. O profeta João, o batizador, apresentou tio André ao Messias! Seu nome é Yesu. Oh, Mãe! Se o Profeta diz que esse homem é o Messias, então ele deve ser, não acha?? Pense! Milhares de pessoas estão sendo batizados por João e confiam nele para mostrar Aquele que há de vir. Ele não estaria errado, estaria??—Ashira sentou num banco bambo perto da parede do pátio, respirando fortemente e maravilhando-se com a notícia.

Jedida continuou a ponderar incredulamente—Ashira, todos nós sabíamos que o Messias deveria estar vivo porque ouvimos falar de tantos sinais!—ela pausou. E depois, cuidadosa e intencionalmente, Jedida disse o nome que seu coração tinha esperado tanto tempo para conhecer.—Jesus.—Ela olhou para Ashira, sua face radiante. Mesmo agora sem saber o que dizer, pensamentos e conclusões ainda transbordavam sua mente. “André, Tiago, João, e Simão, meu Simão, conhecendo o futuro Rei de Israel, o Restaurador do Reino de Davi!”

Mas, de alguma maneira, em meio a esta maravilha, Jedida de repente se sentiu apreensiva. “Se Ele realmente é o Messias, nossas vidas e as vidas de todos ao nosso redor estão para mudar PARA SEMPRE! Será que realmente estou pronta para isto?” E então ela silenciosamente se repreendeu por ficar presa nas suas próprias preocupações tão rapidamente. Mas ainda, pensamentos contrários continuavam a clamar na sua mente.

Respirando fundo, Jedida falou com estabilidade intencional—Ashira, me conte mais! Seu abba deu alguma idéia de quando ele voltaria?

—Ele disse algo para Jerede sobre alguns dias. Oh, Mãe. Eu nem sei o que pensar! Minha mente parece estar correndo a mil.—Os olhos de Ashira passaram por cima da parede do pátio onde à distancia ela conseguia ver o Mar da Galiléia que tanto amavam.—Mãe, dá para acreditar o que está acontecendo? Meu abba está indo para encontrar Aquele quem João diz ser o futuro Rei! Mas ao mesmo tempo é assustador!—Ashira rapidamente ficou de pé e virou para encarar sua mãe, angústia tomando conta de seu rosto ao considerar o que estava por vir.—Você acha que abba realmente nos deixaria por muito tempo, como tio André? Ele vai ficar? Ele poderia nunca voltar?!—seus olhos enchendo de lágrimas.

Jedida olhou para Ashira perplexa. Ela podia ver, refletidos, visíveis, e ampliados em sua filha, seus próprios sentimentos ofegantes.—Minha filha!—ela gargalhou, encontrando alívio na sua própria risada.—Em um momento de algum modo você expõe as tolas dúvidas de sua mãe com mudanças de emoção que competiria até mesmo com as de seu pai. O que vou fazer com você!—Jedida riu de novo, trazendo sua filha para perto com os braços.—Não vamos deixar nosso amor por seu abba abater os olhos dos nossos corações.—Com novo entusiasmo, ela expressou o que sabia que era certo e verdadeiro.—Ashira, Israel tem orado por centenas de anos pelo Messias que há de vir. Se esse homem é o Prometido, nós não temos nada a temer, nem mesmo por seu abba!

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